quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Em busca da Identidade

 Desde que nascemos, cada um de nós, de modo silencioso, às vezes inconsciente, outras com certa determinação, vai construindo sua identidade como pessoa. Quanto mais nos parecemos uns com os outros, mais necessidade sentimos de marcar nosso jeito, nossa cara, nosso nome para realçar nossas diferenças. Assim, construímos nossa identidade na relação de igualdade e diferença com as outras pessoas com quem (con)vivemos.


Trocando em miúdos: todos nós nos vestimos, mas cada um procura achar um jeito particular de se vestir e se diferenciar; todos nós moramos em algum tipo de habitação, mas cada um se esforça para tornar a sua casa diferente das outras, deixando-a mais parecida consigo próprio; todos nós temos um nome, um registro, um número de identificação, um endereço, mas cada um tem o seu nome, o seu endereço, um número no registro geral só seu e assim por diante.

Interessante: a palavra identidade é derivada de idem, de origem grega, que significa a “mesma coisa”, “do mesmo modo”. No entanto, construir a identidade é buscar no imenso repertório “das mesmas coisas e dos mesmos modos” a cara, o jeito, a marca própria de cada um.

Uma das primeiras coisas que acontecem na vida de uma pessoa, fato comum a todos, é receber um nome. Escolher um nome de um novo ser é um processo que, muitas vezes, dura todo o tempo da gestação. O nome próprio de cada um é o nosso primeiro patrimônio social, algo que carregamos pela vida toda e do qual devemos cuidar sempre. Em uma sociedade complexa como a nossa, o nome dado a uma pessoa é algo tão importante que deve ser registrado em cartório. Não se pode ser alguém sem se ter um nome, porque ele é o início da identificação. Em tempos de consumismo, o nome é uma marca, que deve ser cuidada e protegida, que aceita investimento e é construída ao longo dos muitos anos que vivemos.

Um nome, uma identidade, é tão mais forte quanto maior o sentimento de auto-estima, a capacidade e o prazer de se gostar, se respeitar e saber ser capaz de vôos próprios. Pessoas com baixa auto-estima são presas fáceis de idéias e sentimentos equivocados, de manipulação, de pouca reflexão e do domínio alheio.

A construção da identidade, fortalecida pela auto-estima, leva a autonomia. Uma pessoa autônoma pensa, crítica, faz, age e sente com mais liberdade e responsabilidade. Sabe que vive com outras pessoas, mas isso não a impede de construir o próprio caminho, a própria marca, a sua personalidade, enfim, a sua identidade.

E assim, vivendo uma história de vida, construindo uma identidade, desde o nascimento, que cada um de nós vai aprendendo a ser cidadão.